Jovem extrativista leva demandas históricas dos territórios tradicionais em fala ao Presidente Lula
A voz do jovem paraense Matheus Silva ecoou nacionalmente ao apresentar as demandas de quem vive e protege os territórios amazônicos durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), realizada no início do mês em Brasília. O encontro reuniu governo federal, sociedade civil, setor produtivo e comunidade científica para debater propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável do país.
Representante da juventude das águas e das florestas no Conselho da Presidência da República, liderança do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), pesquisador e estudante de Arquitetura da Universidade Federal do Pará (UFPA), Matheus defendeu propostas voltadas ao fortalecimento da ciência, da reforma agrária ecológica e coletiva, do financiamento climático e da valorização dos povos da Amazônia.
“Falo como jovem extrativista amazônida, de um Projeto de Assentamento Agroextrativista da Reforma Agrária, localizado no Rio Campompema, em Abaetetuba, no interior do Pará. Trago a voz de quem vive da floresta, das águas e da terra e acredita que o desenvolvimento só faz sentido quando promove dignidade para essas populações e seus territórios”, afirmou.
Crédito: Ricardo Stuckert
Para a vice-presidente do CNS, Letícia Moraes, a participação de Matheus na plenária demonstra a importância de ampliar a presença da juventude extrativista nos espaços onde são construídas as políticas públicas que impactam diretamente os territórios tradicionais.
“A presença de Matheus nesse espaço representa muito mais do que uma conquista individual. É a voz da juventude extrativista amazônica ocupando lugares estratégicos de decisão e levando para o centro do debate nacional as demandas, os desafios e as propostas de quem vive e protege a floresta todos os dias. Precisamos garantir que cada vez mais jovens tenham oportunidades de participar da construção das políticas que definirão o futuro da Amazônia e do Brasil”, destaca Letícia Moraes.
Matheus integra uma geração de lideranças que tem ampliado a participação das populações tradicionais nos espaços de decisão sobre o futuro do bioma amazônico.
Ao abordar os desafios e as oportunidades da região, o jovem conselheiro destacou, em seu discurso, resultados das discussões promovidas pelo Grupo de Trabalho Amazônia do CDESS. Segundo ele, os debates já contribuem para impulsionar a formação de profissionais, a produção científica e a construção de soluções alinhadas às necessidades da região.
“Em 2023, o GT Amazônia realizou um importante diagnóstico: antes da interiorização do ensino superior e tecnológico, a escassez de mão de obra qualificada era um dos obstáculos ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Com a expansão das universidades e dos institutos federais, milhares de jovens passaram a se formar na graduação e na pós-graduação. Porém, muitos desses profissionais ainda encontram dificuldades para contribuir diretamente para a solução dos problemas e desafios dos seus próprios territórios”, destacou.
Matheus também defendeu a ampliação das oportunidades para pesquisadores da região e o fortalecimento da permanência de cientistas da Amazônia na própria Amazônia.
“Trata-se de um investimento estratégico para ampliar a presença de pesquisadores da Amazônia na Amazônia e fortalecer respostas para desafios como saneamento, energia, gestão das águas, soluções produtivas para a floresta e reflorestamento”, afirmou.
Como caminho para enfrentar as desigualdades vividas pelas comunidades, ele defendeu a implementação da reforma agrária ecológica e coletiva, inspirada no legado de Chico Mendes, além da revisão e reconstrução transversal do Sistema Unificado de Assistência Técnica e Extensão Rural (SUAT) para extrativistas, agricultores familiares, assentados da reforma agrária, ribeirinhos, quilombolas e demais comunidades tradicionais, com atenção especial às mulheres e às juventudes desses segmentos.
“Precisamos avançar, de forma urgente, na implementação da Reforma Agrária Ecológica e Coletiva, garantindo terra, produção e dignidade para quem vive e trabalha nos territórios […] Afinal, fortalecer a Amazônia é fortalecer o Brasil, e não haverá desenvolvimento sustentável, sucessão rural, justiça social e futuro para o nosso país sem os povos que vivem, cuidam e protegem seus territórios todos os dias”, concluiu.