CARTA COMPROMISSO DUDU DA FLORESTA

Foto/Crédito: Rodrigo Correia

 

Pelos Povos da Floresta, pelos Territórios e pelo Bem Viver

PAE São João I, Curralinho, Marajó, Pará – 14 de Setembro de 2026

 

Nós, povos e comunidades tradicionais, lideranças comunitárias, representantes de organizações sociais, universidades, instituições públicas e organizações parceiras, reunidos na Semana Dudu da Floresta, no PAE São João I, em Curralinho, no coração do Marajó, reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos territórios, com a valorização dos povos da floresta e com a construção de um modelo de desenvolvimento que reconheça aqueles e aquelas que vivem e cuidam da floresta todos os dias.

 

A história do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) nasceu da luta dos seringueiros pela floresta e pelo direito de permanecer em seus territórios. Chico Mendes nos ensinou que não existe defesa da floresta sem defesa dos seus povos e comunidades. Seu Dudu e tantas outras lideranças que construíram essa caminhada mostraram, na prática, que conservar significa também garantir território, dignidade, organização comunitária, educação, saúde, produção, renda e futuro para quem vive na e da floresta.

 

Quase quatro décadas depois das primeiras grandes conquistas do movimento extrativista, reafirmamos essa mensagem e assumimos um novo desafio: não basta reconhecer que os povos da floresta ajudam a conservar. É preciso reconhecer, proteger e valorizar os conhecimentos tradicionais e remunerar adequadamente o trabalho e as contribuições desses povos em benefício de toda a sociedade.

 

A floresta viva e biodiversa não existe por acaso. Ela é, em grande parte, resultado das relações construídas ao longo de gerações entre a natureza e povos e comunidades tradicionais. São milhões de pessoas em todo o planeta que cuidam de rios, florestas, campos, manguezais e outros ecossistemas, protegendo a biodiversidade, produzindo alimentos, mantendo conhecimentos tradicionais e contribuindo diariamente para a estabilidade do clima, por meio de suas roças, mutirões, partilhas de quinhões e tantas outras tecnologias socioambientais de cuidado com os territórios.

 

As políticas contemporâneas têm dado crescente atenção às Soluções Baseadas na Natureza (SbN) como resposta aos desafios do clima, da biodiversidade e do desenvolvimento. No entanto, quando concebidas a partir de perspectivas que separam a natureza das pessoas que vivem nos territórios, essas abordagens podem invisibilizar conhecimentos, práticas, tecnologias socioambientais e direitos historicamente construídos. Por isso, propomos avançar no conceito de Soluções Baseadas nos Povos da Floresta, reconhecendo os povos e comunidades tradicionais não apenas como beneficiários ou participantes das políticas de conservação, mas como sujeitos ativos, detentores de conhecimentos e protagonistas de soluções para a conservação, a regeneração e a resiliência.

Reconhecer esse protagonismo exige também mudar a maneira como o Brasil e o mundo enxergam a riqueza produzida e mantida nos territórios. A floresta não pode ser vista apenas como estoque de carbono, reserva de recursos naturais ou oportunidade de mercado. Ela é território de vida, arte, trabalho, conhecimento e futuro. Se a Amazônia gera valor para o mundo, seus povos e comunidades precisam ser reconhecidos como parte fundamental da geração e manutenção dessa riqueza. Isso exige também ampliar nossa compreensão sobre o que é a economia da floresta, como sua riqueza é produzida, quem a produz e como seus benefícios são distribuídos.

 

É a partir dessa perspectiva que propomos pensar uma economia da floresta viva e biodiversa, voltada para o bem comum. Não se trata de uma economia marginal, nem de uma agenda restrita ao combate à pobreza. Trata-se de reconhecer uma economia da conservação, da regeneração e da resiliência que não é nova, que articula natureza, trabalho, conhecimentos tradicionais, tecnologias socioambientais e formas coletivas de organização, produzindo múltiplas formas de valor e benefícios que ultrapassam os próprios territórios e contribuem para toda a sociedade. Por isso, é fundamental que aqueles que produzem e mantêm esse valor participem também da definição de como ele é reconhecido, distribuído e reinvestido. Os conhecimentos tradicionais, as tecnologias e inovações sociais e as formas de governança coletiva produzidas pelas comunidades devem, portanto, orientar o desenho das políticas públicas. Uma parcela justa e significativa do valor gerado a partir dos territórios deve retornar e ser reinvestida nos próprios territórios e em suas comunidades.

 

Esse novo olhar exige reconhecer os povos e comunidades tradicionais não apenas como beneficiários de políticas sociais ou ambientais, mas como sujeitos ativos de direitos e de proposição, produtores de conhecimentos, inovações e tecnologias sociais e coprodutores de valor público e de bens comuns fundamentais para toda a sociedade. Reconhecer essa contribuição significa transformar a forma como concebemos as políticas de conservação, clima, biodiversidade e desenvolvimento.

 

Compromissos

A partir do território onde esta Carta é construída, assumimos o compromisso de trabalhar conjuntamente para:

 

  1. Colocar as pessoas que cuidam da floresta no centro do debate, dando visibilidade aos trabalhadores e trabalhadoras da conservação, avançando no conhecimento sobre quem são, onde estão e quais contribuições os povos e comunidades tradicionais oferecem para a conservação da biodiversidade, a estabilidade climática, a segurança hídrica e alimentar e a proteção dos territórios.
  2. Defender os territórios e os modos de vida dos povos e comunidades tradicionais, fortalecendo a luta histórica do CNS pela criação e consolidação de Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável, Projetos de Assentamento Extrativista e outras formas de reconhecimento e gestão coletiva dos territórios.
  3. Fortalecer e dar visibilidade à economia da floresta viva e biodiversa e construir uma nova narrativa sobre seu papel na sociedade, contrapondo-se à visão que trata suas

economias como marginais e consolidando o reconhecimento desta como um sistema que articula povos da floresta, natureza, produção, resiliência e geração de valor público.

  1. Traduzir essa nova narrativa em políticas econômicas, colocando as economias dos territórios no centro de seu desenho e valorizando os conhecimentos tradicionais, as inovações sociais, as tecnologias socioambientais e as formas de governança coletiva produzidas pelas comunidades.
  2. Desenvolver e consolidar o conceito de Soluções Baseadas nos Povos da Floresta, reconhecendo que respostas duradouras aos desafios do clima, da biodiversidade e da conservação precisam partir também dos conhecimentos, modos de vida, tecnologias socioambientais e formas de organização daqueles que historicamente mantêm a floresta viva e biodiversa. Esse conceito deverá orientar pesquisas, experiências nos territórios e a construção de uma nova geração de políticas públicas.
  3. Repensar a forma como medimos a riqueza da floresta, desenvolvendo formas de reconhecer e valorizar os conhecimentos tradicionais, as práticas de produção e as inovações sociais, bem como de remunerar adequadamente as contribuições das comunidades. Isso exige ir além dos indicadores econômicos tradicionais e reconhecer os múltiplos valores — ecológicos, artísticos, históricos, sociais, culturais e econômicos — produzidos nos territórios.
  4. Defender que uma parcela justa e significativa do valor gerado a partir dos territórios retorne e seja reinvestida nos próprios territórios, contribuindo para o fortalecimento e a construção de instrumentos e mecanismos capazes de fazer com que os benefícios gerados pelo trabalho de conservação realizado pelas comunidades cheguem diretamente àqueles que mantêm a floresta viva e biodiversa.
  5. Fortalecer políticas de valorização e remuneração dos povos da floresta, incluindo mecanismos de transferência e redistribuição de renda, pagamentos por serviços ambientais e outros instrumentos de reconhecimento e repartição de benefícios, de forma a valorizar suas tecnologias socioambientais de reprodução econômica e coletiva, historicamente construídas, como o mutirão, a roça, o quinhão, entre outros.
  6. Aproximar conhecimentos tradicionais, ciência e políticas públicas, construindo uma agenda na qual comunidades, movimentos sociais, universidades e Estado produzam conjuntamente conhecimentos e soluções para os desafios dos territórios.
  7. Fortalecer as juventudes dos territórios, criando oportunidades de formação, pesquisa, trabalho e participação política para que os jovens possam construir seus projetos de vida sem precisar abandonar suas comunidades e sua identidade.
  8. Levar a voz dos territórios aos espaços nacionais e internacionais, garantindo que as políticas de clima, biodiversidade e desenvolvimento sejam construídas não apenas para os povos da floresta, mas com os povos da floresta.

Um compromisso que nasce dos territórios

Esta Carta não pretende encerrar um debate. Ela marca o início de uma construção coletiva.

 

Queremos avançar na construção de uma agenda comum capaz de unir o legado político de Chico Mendes e das lideranças históricas do movimento extrativista, os conhecimentos acumulados pelas comunidades, a experiência das políticas públicas brasileiras e a capacidade de pesquisa das universidades e instituições parceiras.

Propomos construir, a partir dessa aliança, uma iniciativa dedicada à economia da floresta viva e biodiversa, capaz de transformar esse reconhecimento em conhecimento, políticas públicas, investimentos e benefícios concretos para os povos e comunidades que mantêm a floresta viva.

 

Essa construção deve começar nos territórios. Deve ouvir quem vive da floresta, das águas e da terra. Deve combinar conhecimento tradicional e conhecimento científico. E deve transformar conhecimento em políticas públicas concretas.

 

Reafirmamos uma mensagem simples, construída ao longo de décadas de luta: Não existe floresta viva e biodiversa sem povos da floresta.

E acrescentamos um compromisso para os próximos anos:

 

Quem cuida da floresta cuida de todos nós. É hora de reconhecer, valorizar e compartilhar os benefícios desse trabalho.

 

Do Marajó para a Amazônia.

Da Amazônia para os demais biomas brasileiros. E dos territórios brasileiros para o mundo.

 

Em memória de Dudu da Floresta, Chico Mendes e de todas as lideranças que dedicaram suas vidas à defesa dos povos, das águas, dos territórios e das florestas, assumimos o compromisso de seguir construindo essa caminhada coletivamente, com os pés no território, em diálogo entre gerações e tendo a floresta viva e biodiversa como horizonte.

 

Do Marajó para a Amazônia.

Da Amazônia para os demais biomas brasileiros. E dos territórios brasileiros para o mundo.

 

PAE São João I, Curralinho – Marajó, Pará

Semana Dudu da Floresta – 14 de Setembro de 2026 Assinam esta carta:

MMA:

 

  • Edel Moraes
  • Kildren Pantoja Rodrigues
  • Fádia Rebouças

 

CNS:

 

  • Letícia Moraes
  • Atanagildo Matos
  • Edilson Figueira
  • Ivanildo Brilhante
  • Ramon Cruz

Fundo Puxirum:

 

  • Robson Santos
  • Antônio Brito

 

UFPA:

 

  • Frederico Brandão
  • Valério Gomes
  • Nirvia Ravena
  • Thales Ravena Cañete
  • Francisco de Assis Costa
  • Raul Ventura
  • Danilo Fernandes
  • Harley Silva
  • Raquel Lopes

 

IIPP/UCL:

 

  • Mariana Mazzucato
  • Ignacio Paiva
  • Manuel Maldonado
  • Liliana Hertling
  • Laura Merling

 

Parceiros:

 

  • Joerg Nowak
  • Bruna Stein
  • Andrea Brasil
  • Cassia Cativo
  • Evelyn Munarini
  • Mark Ungar
  • Rui Brandão
  • Luce Cresto Dina

DUDU DA FLORESTA COMMITMENT LETTER

For Forest Peoples, Territories and Bem Viver

PAE São João I, Curralinho, Marajó, Pará – 14 September 2026

 

We, traditional peoples and communities, community leaders, representatives of social movements and organizations, universities, public institutions and partner organizations, gathered for Dudu da Floresta Week at PAE São João I, in Curralinho, in the heart of Marajó, reaffirm our commitment to defending territories, valuing forest peoples, and building a model of development that recognizes those who live in and care for the forest every day.

 

The history of the Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS – National Council of Extractive Communities) grew out of the struggle of rubber tappers to defend the forest and their right to remain in their territories. Chico Mendes taught us that there can be no defence of the forest without defending its peoples and communities. Dudu da Floresta and so many other leaders who built this movement showed, in practice, that conservation also means securing territory, dignity, community organization, education, health, production, income and a future for those who live in and from the forest.

 

Almost four decades after the first major achievements of the forest-based extractive

communities’ movement, we reaffirm this message and take on a new challenge: it is not enough to recognize that forest peoples help conserve the forest. Traditional knowledge must be recognized, protected and valued, and the work and contributions of these peoples to the benefit of society as a whole must be adequately rewarded.

 

A living and biodiverse forest does not exist by chance. To a large extent, it is the result of relationships built over generations between nature and traditional peoples and communities. Millions of people around the world care for rivers, forests, grasslands, mangroves and other ecosystems, protecting biodiversity, producing food, maintaining traditional knowledge and contributing every day to climate stability through their roças (traditional farming

plots), mutirões(collective community work), the sharing of quinhões and many other socio-environmental technologies for caring for territories.

 

Contemporary policies have increasingly focused on Nature-based Solutions (NbS) as responses to the challenges of climate change, biodiversity and development. However, when conceived through perspectives that separate nature from the people who live in these territories, such approaches can render historically developed knowledge, practices, socio-environmental technologies and rights invisible. We therefore propose advancing the concept of Forest Peoples-based Solutions, recognizing traditional peoples and communities not merely as beneficiaries or participants in conservation policies, but as active agents, knowledge holders and protagonists in developing solutions for conservation, regeneration and resilience.

 

Recognizing this agency also requires changing the way Brazil and the world understand the wealth produced and sustained in these territories. The forest cannot be seen merely as a carbon stock, a reserve of natural resources or a market opportunity. It is a territory of life, art, work,

knowledge and future. If the Amazon generates value for the world, its peoples and communities must be recognized as fundamental to the creation and maintenance of that wealth. This also requires broadening our understanding of what the forest economy is, how its wealth is produced, who produces it and how its benefits are distributed.

 

From this perspective, we propose recognizing and strengthening a living and biodiverse forest economy oriented towards the common good. This is not a marginal economy, nor is it an agenda limited to poverty reduction. It means recognizing an economy of conservation, regeneration and resilience that is not new, but has existed in these territories for generations. It brings together nature, work, traditional knowledge, socio-environmental technologies and collective forms of organization, producing multiple forms of value and benefits that extend beyond the territories themselves and contribute to society as a whole. Those who produce and sustain this value must therefore also participate in deciding how it is recognized, distributed and reinvested. Traditional knowledge, technologies and social innovations, together with the forms of collective governance developed by communities, should consequently help shape public policy. A fair and significant share of the value generated from these territories must return to and be reinvested in the territories themselves and their communities.

 

This new perspective requires recognizing traditional peoples and communities not merely as beneficiaries of social or environmental policies, but as rights-holders and active participants in shaping proposals, producers of knowledge, innovations and social technologies, and co-producers of public value and of the commons that are fundamental to society as a whole.

Recognizing these contributions means transforming the way we conceive policies for conservation, climate, biodiversity and development.

 

Commitments

From the territory where this Letter has been developed, we commit to working together to:

 

  1. Place the people who care for the forest at the centre of the debate, giving visibility to conservation workers and advancing our understanding of who they are, where they are and how traditional peoples and communities contribute to biodiversity conservation, climate stability, water and food security, and the protection of territories.
  2. Defend the territories and livelihoods of traditional peoples and communities, strengthening the CNS’s historic struggle for the creation and consolidation of Extractive Reserves (RESEX), Sustainable Development Reserves (RDS), Extractive Settlement Projects (PAE), and other forms of recognition and collective governance of territories.
  3. Strengthen and give visibility to the living and biodiverse forest economy and build a new narrative about its role in society, challenging the dominant economic narrative that treats these economies as marginal and consolidating recognition of this existing economy as a system that brings together forest peoples, nature, production, resilience and the generation of public value.
  4. Translate this new narrative into economic policies, placing territorial economies at the centre of policy design and valuing traditional knowledge, social innovations, socio-environmental technologies and the forms of collective governance developed by communities.
  5. Develop and consolidate the concept of Forest Peoples-based Solutions, recognizing that lasting responses to the challenges of climate change, biodiversity and conservation must also be grounded in the knowledge, ways of life, socio-environmental technologies and forms of organization of those who have historically kept the forest living and biodiverse. This concept should guide research, experiences in the territories and the development of a new generation of public policies.
  6. Rethink how we measure the wealth of the forest, developing ways to recognize and value traditional knowledge, production practices and social innovations, as well as adequately reward the contributions of communities. This requires going beyond conventional economic indicators and recognizing the multiple values — ecological, artistic, historical, social, cultural and economic — produced in the territories.
  7. Advocate for a fair and significant share of the value generated from the territories to return to and be reinvested in those territories, contributing to the strengthening and development of instruments and mechanisms capable of ensuring that the benefits generated by communities’ conservation work directly reach those who keep the forest living and biodiverse.
  8. Strengthen policies that value and reward forest peoples, including income transfer and redistribution mechanisms, payments for environmental services and other instruments for recognition and benefit-sharing, while valuing the socio-environmental technologies through which communities have historically organized their economic and collective reproduction, including the mutirão, the roça, the quinhão, and others.
  9. Bring traditional knowledge, science and public policy closer together, building an agenda in which communities, social movements, universities and the State jointly produce knowledge and solutions to the challenges facing the territories.
  10. Strengthen young people in the territories, creating opportunities for education, research, work and political participation so that young people can build their life projects without having to leave their communities and identities behind.
  11. Bring the voices of the territories into national and international arenas, ensuring that climate, biodiversity and development policies are built not only for forest peoples, but with forest peoples.

A Commitment Born from the Territories

This Letter is not intended to close a debate. It marks the beginning of a collective process.

 

We seek to advance a common agenda capable of bringing together the political legacy of Chico Mendes and the historic leaders of the forest-based extractive communities’ movement, the knowledge accumulated by communities, the experience of Brazilian public policies, and the research capacity of universities and partner institutions.

 

Building on this alliance, we propose developing an initiative dedicated to the living and biodiverse forest economy, capable of translating this recognition into knowledge, public policies, investment and tangible benefits for the peoples and communities who keep the forest alive.

This process must begin in the territories. It must listen to those who live from the forest, the waters and the land. It must bring traditional and scientific knowledge together. And it must transform knowledge into concrete public policies.

 

We reaffirm a simple message, built through decades of struggle:

 

There is no living and biodiverse forest without forest peoples. And we add a commitment for the years ahead:

Those who care for the forest care for all of us. It is time to recognize, value and share the benefits of this work.

 

From Marajó to the Amazon.

From the Amazon to Brazil‘s other biomes. And from Brazil‘s territories to the world.

 

In memory of Dudu da Floresta, Chico Mendes and all the leaders who dedicated their lives to defending peoples, waters, territories and forests, we commit to continuing this journey collectively, with our feet firmly rooted in the territories, in dialogue across generations, and with the living and biodiverse forest as our horizon.

 

From Marajó to the Amazon.

From the Amazon to Brazil‘s other biomes. And from Brazil‘s territories to the world.

 

PAE São João I, Curralinho – Marajó, Pará Dudu da Floresta Week – 14 September 2026

 

Signatories

MMA

 

Edel Moraes

Kildren Pantoja Rodrigues Fádia Rebouças

 

CNS

 

Letícia Moraes Atanagildo Matos

Edilson Figueira Ivanildo Brilhante Ramon Cruz

 

Fundo Puxirum

 

Robson Santos Antônio Brito

 

UFPA

 

Frederico Brandão Valério Gomes Nirvia Ravena

Thales Ravena Cañete Francisco de Assis Costa Raul Ventura

Danilo Fernandes Harley Silva Raquel Lopes

IIPP/UCL

 

Mariana Mazzucato Ignacio Paiva Manuel Maldonado Liliana Hertling Laura Merling

 

Partners

 

Joerg Nowak Bruna Stein Andrea Brasil Cassia Cativo Evelyn Munarini Mark Ungar

Rui Brandão Luce Cresto Dina