A defesa dos territórios tradicionais, a valorização da sociobiodiversidade e o fortalecimento da organização das populações extrativistas estarão no centro da primeira edição da Semana Dudu da Floresta – Sociobiodiversidade e Bem-Viver, que será realizada de 9 a 13 de setembro, na Comunidade Nossa Senhora da Boa Esperança, em Curralinho, no arquipélago do Marajó (PA). O evento homenageia Dulcimar Baratinha de Moraes, liderança da região e conhecido como Dudu da Floresta, reunindo representantes de comunidades tradicionais, instituições públicas, universidades e organizações da sociedade civil para debater temas como governança territorial, justiça social, economia da floresta e conservação ambiental.
A programação também será marcada pela reflexão sobre a trajetória de Dudu da Floresta, importante liderança de Curralinho, que atuou na organização das populações extrativistas, na criação da primeira associação comunitária do Rio Canaticú e no fortalecimento de práticas sustentáveis de manejo do açaí. Ele, junto com a sua esposa, Dona Célia, passaram para seus filhos o legado de defender os direitos das populações tradicionais, das mulheres extrativistas, dos territórios e da sociobiodiversidade amazônica.
“É um momento em que faremos um amplo debate sobre o legado deixado pelo meu pai, uma liderança comunitária que por muito tempo viveu no anonimato, mas que teve uma contribuição gigantesca para a luta do movimento das populações extrativistas, para a organização do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Curralinho, para a criação da primeira associação comunitária do Rio Canaticú e para o manejo sustentável do açaí”, destaca Letícia Moraes, vice-presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), filha do homenageado e uma das principais organizadoras do evento.

Nascido em 4 de dezembro de 1954, na localidade que hoje corresponde à Comunidade Nossa Senhora da Boa Esperança, Dudu da Floresta dedicou sua vida à defesa dos rios, do meio ambiente e das populações tradicionais do Marajó. Sua atuação contribuiu para fortalecer a organização social, a defesa dos direitos das populações extrativistas e a adoção de práticas sustentáveis, ajudando a ampliar a autonomia das comunidades da região.
Programação
A Semana Dudu da Floresta terá atividades de formação, intercâmbio de experiências e valorização dos saberes locais. No dia 9 de setembro, será realizado o Seminário dos Projetos de Assentamentos Extrativistas de Curralinho, com debates sobre organização comunitária, regularização fundiária e governança territorial.
No dia 11, as Vivências Comunitárias proporcionarão uma imersão na região, com visitas guiadas sobre a história local, produção do açaí, pesca artesanal, extrativismo e turismo de base comunitária. Já no dia 12, o Seminário Economia da Floresta reunirá participantes para discutir povos da floresta, sociobiodiversidade, valor público e serviços ecossistêmicos para o bem comum. O encerramento acontece no dia 13 de setembro, com a festividade da Comunidade Nossa Senhora da Boa Esperança.
Para Letícia Moraes, além de celebrar a memória de seu pai, a programação cria uma oportunidade para aproximar diferentes atores que atuam na defesa da Amazônia. “Esse será um momento oportuno para que possamos trazer uma reflexão profunda sobre o que os territórios da floresta representam para o mundo”, afirma.


Entre as instituições convidadas estão o o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto Federal do Pará (IFPA) – Campus Marajó, além de organizações parceiras e movimentos sociais ligados aos povos da floresta.
Idealizada para preservar e ampliar o legado de Dudu da Floresta, a iniciativa pretende fortalecer um espaço de articulação entre comunidades, instituições e lideranças, destacando o papel da organização comunitária, dos conhecimentos tradicionais e da proteção dos territórios para a construção de um futuro sustentável na Amazônia. Para mais informações, acesse cnsbrasil.org.
A Semana Dudu da Floresta está sendo organizada pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Cooperativa dos Produtores Extrativistas do Rio Pagão, Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade de Brasília (UnB).