Nova etapa do Sanear Amazônia fortalece implementação de tecnologias sociais para mais de 3,6 mil famílias

Coordenado pelo Memorial Chico Mendes, o programa atua nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia com ações de acesso à água, saneamento e inclusão produtiva

 

Entre os dias 20 e 22 de maio, o município de Curralinho, no arquipélago do Marajó (PA), recebeu a Oficina de Formação em Tecnologias Sociais de Acesso à Água e Inclusão Produtiva, reunindo entidades executoras, equipes técnicas e parceiros envolvidos na implementação do Programa Sanear Amazônia com Inclusão Produtiva.

Realizada pelo Memorial Chico Mendes, com apoio do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, a oficina marcou um importante momento de alinhamento da nova etapa do programa, após a formalização do contrato firmado com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no âmbito do Fundo Amazônia, que financia essa iniciativa.

“As tecnologias sociais permitem levar às comunidades extrativistas da Amazônia água segura, saneamento, com banheiros e destinação dos resíduos e a inclusão produtiva. Mais de 3.600 famílias, cerca de 20 mil extrativistas, serão beneficiados nessa nova fase do Sanear. As executoras reunidas nestes dias estão contratadas pelo Memorial e habilitadas para atuar em cinco estados da Amazônia, levando esse importante trabalho”, declarou Adevaldo Dias, presidente do Memorial Chico Mendes.

A iniciativa prevê a ampliação da implementação de tecnologias sociais de acesso à água e saneamento em comunidades tradicionais da Amazônia Legal, integrando também ações de inclusão social e produtiva voltadas à segurança alimentar, geração de renda e fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade amazônica e dos modos de organização local.

Durante a oficina, representantes das organizações executoras participaram de atividades de alinhamento institucional, debates metodológicos, troca de experiências e vivências práticas relacionadas à implementação e operação das tecnologias sociais nos territórios amazônicos.

“Para a nossa instituição, a oficina foi significativa. É importante alinhar as expectativas dos parceiros, o que vamos ver e trocar experiências nos ajuda a ter uma visualização melhor dos territórios em que vamos atuar”, explicou Michele Monteiro, da executora Sociedade, Meio Ambiente, Educação, Cidadania e Direitos Humanos (SOMECDH).

O espaço também foi voltado à construção coletiva de estratégias para fortalecer a atuação das entidades nos territórios, considerando os desafios logísticos, sociais e ambientais da Amazônia.

Além das discussões técnicas, a programação abordou instrumentos operacionais e de monitoramento utilizados no programa, buscando fortalecer a integração entre as organizações executoras, equipes técnicas e comunidades envolvidas.

Além da implantação das tecnologias, o projeto contempla processos forma tivos e acompanhamento individual e coletivo das famílias atendidas, incentivando e apoiando atividades produtivas sustentáveis e promovendo maior autonomia das populações tradicionais em seus territórios.

“O Instituto vai atuar aqui na região de Curralinho, levando tecnologias sociais agregadas com a inclusão produtiva e essa troca de experiências e saberes vai nos permitir realizar um trabalho mais acessível e de mais qualidade nas comunidades”, explicou Alex Keuffer, presidente do Instituto Vitória Régia.

As ações serão executadas por organizações selecionadas por meio de Edital de Chamada Pública, fortalecendo uma rede de atuação territorial voltada à promoção do acesso à água, dignidade e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

As entidades executoras contratadas para atuação no programa são: Instituto de Desenvolvimento Humano, Social e Ambiental (Desenvolver); Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha de São Salvador (ATAISS); Associação de Mulheres do Baixo Cajari (AMBAC); Instituto Vitória Régia (IVR); Associação Nossa Amazônia (ANAMA); Fundação Amazônia Sustentável (FAS); Sociedade, Meio Ambiente, Educação, Cidadania e Direitos Humanos (SOMECDH); Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB); Associação dos Moradores Agroextrativistas da Gleba Joana Peres II – Rio Pacajá (AMAGJOPP); Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP); Instituto de Desenvolvimento Sustentável Ágata; e Associação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (ABRADESA).

O Sanear Amazônia

O programa tem o objetivo de promover acesso à água para o consumo humano em comunidades extrativistas da Amazônia, por meio da disponibilidade das tecnologias sociais “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Comunitário” e “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Autônomo”.

É uma proposta que assegura o abastecimento de água potável para famílias extrativistas de forma direta. O impacto indireto é reverberado por meio da replicação das melhores práticas adotadas para a totalidade da população nas áreas consideradas.

A implantação da tecnologia social no Projeto Sanear Amazônia segue um processo estruturado que envolve diversas etapas. A primeira fase é de mobilização, seleção e cadastramento das famílias beneficiadas, feita por meio de assembleias, reuniões e visitas.

Em seguida, os beneficiários passam por uma etapa de capacitação em duas áreas fundamentais. Na área de saneamento e saúde ambiental, eles aprendem sobre o uso adequado da tecnologia social, a gestão da água, cuidados com o meio ambiente e práticas de saúde que serão impactadas positivamente pelo novo sistema. Já na área de construção dos componentes físicos da tecnologia social, as equipes responsáveis pelas obras recebem instruções sobre a construção de placas e pilares pré-moldados, montagem de banheiros, fossas e a instalação do sistema hidráulico, além de orientações sobre a manutenção da tecnologia para garantir sua durabilidade.

A última etapa envolve a construção dos componentes físicos e a instalação do sistema. Nesse momento, é feita a instalação da caixa d’água sobre um tablado de madeira elevado, a construção do banheiro e seus acessórios, e a construção da fossa sanitária e dos sistemas de distribuição de água.

 

Sobre o Memorial Chico Mendes

O Memorial Chico Mendes, fundado em 1996 pelo CNS (Conselho Nacional das Populações Extrativistas), é uma organização sem fins lucrativos dedicada à preservação do legado do ativista ambiental Chico Mendes e à promoção de projetos sociais e ambientais na Amazônia. Através de diversas iniciativas, buscamos contribuir para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida das comunidades extrativistas.